Ministério da Saúde intensifica ações contra queimadas e secas

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Nísia Trindade destaca importância da Sala de Situação em emergências climáticas
A atual crise climática e suas consequências diretas à saúde pública requerem uma resposta imediata e organizada. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, anunciou a intensificação das ações da Sala de Situação Nacional de Emergências Climáticas em Saúde, confirmando o compromisso do governo em mitigar os efeitos das queimadas e secas que afetam diversas regiões do país.
Na última quarta-feira, durante uma entrevista ao programa Bom dia, ministra, Nísia Trindade compartilhou a informação de que a Sala de Situação, criada em junho, tem como objetivo planejar e coordenar ações urgentes para enfrentar as adversidades climáticas que impactam a saúde da população.
Segundo a ministra, o aumento da poluição do ar, resultante da fumaça das queimadas e das condições secas, pode provocar efeitos adversos na saúde, especialmente entre crianças e idosos. Essa preocupação é compartilhada por especialistas, que têm reiterado os riscos crescentes associados à crise climática.
Com base nos dados do programa Vigiar, que foca na Vigilância em Saúde Ambiental e Qualidade do Ar, o Ministério da Saúde está estabelecendo parcerias com secretários estaduais e municipais de saúde em todo o país para um atendimento mais eficaz.
Nísia enfatizou que, apesar das diretrizes do Ministério serem amplas, cada região apresenta particularidades que precisam ser respeitadas. “Há uma capilaridade na forma de atuar que precisa ser feita em conjunto com as equipes do estado e dos municípios”, afirmou a ministra.
Outra frente de atuação mencionada foi a assistência da Força Nacional SUS, que está disponível para apoiar estados e municípios afetados pelas queimadas, com um foco em reforçar as equipes do programa Saúde da Família e nas unidades de saúde.
Em suas declarações, Nísia Trindade também anunciou a contratação de 400 profissionais de saúde para atender a população Yanomami, abrangendo diversas especialidades médicas. Esse esforço é resultado de uma colaboração entre a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSus).
A ministra abordou ainda a expansão do plano de ação para combater as arboviroses, destacando a gravidade da dengue, que agora permeia cerca de 200 países. “O Uruguai, por exemplo, teve agora uma primeira epidemia de dengue”, comentou. O ministério planeja não apenas reforçar as estratégias tradicionais contra o mosquito Aedes Aegypti, mas também incorporar novas tecnologias, como o Método Wolbachia, que pode ajudar a reduzir a transmissão dessas doenças.
Por fim, Nísia Trindade mencionou discussões com o ministro da economia, Fernando Haddad, sobre a urgente necessidade de reformas tributárias que visem aumentar a incidência de impostos sobre produtos ultraprocessados e cigarros, considerando suas implicações negativas para a saúde pública.
A abordagem integrativa e a mobilização de recursos por parte do Ministério da Saúde são essenciais para enfrentar as consequências das mudanças climáticas que afetam diretamente a saúde da população. O comprometimento em adaptar as ações às especificidades regionais e a implementação de tecnologias inovadoras destacam a importância de tratativas colaborativas na promoção de um sistema de saúde mais equitativo e eficaz.



